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Foco e f
Quinta-feira, 01 de Dezembro de 2016 Enviar por e-mail Versão para Impressão acessos
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Num passado recente, esta poca do ano costumava ser uma espcie de salvaguarda para quem estava desempregado. Bastava percorrer o centro comercial para conseguir uma das muitas vagas de trabalho temporrio oferecidas pela macia maioria das lojas. Quase todas traziam cartazes anunciando contrataes para o perodo de Natal. No eram empregos com carteira assinada. Mas, pelo menos, serviam para trazer um alento financeiro no derradeiro ms do ano. Quem se destacava ao fazer o bico ainda tinha a oportunidade de ser efetivado. Igual procedimento valia para muitas atividades no campo. Produtores de flores e frutas, por exemplo, admitiam mo de obra extra para dar conta do expressivo aumento de vendas. Bons tempos...

O cenrio atual bem diferente. Nada de ofertas de trabalho sazonal, nenhuma chance de socorro de Noel. Sim. a maior crise econmica em uns 120 anos. Grandes redes de varejo j informavam, em setembro, que no contratariam temporrios. Em lojas menores, o contexto ainda pior. Muitas fecharam as portas. Outras lutam muito para sobreviver. No campo, tambm no h perspectivas de contrataes. Alis, est mais que difcil manter o atual quadro de funcionrios. Falo com a experincia de quem produz flores. E no vai admitir pessoal extra neste ano. Infelizmente.

De agosto a outubro ltimo, a taxa de desemprego foi de 11,8%, a maior da atual pesquisa de emprego, iniciada em 2012. So 12,042 milhes de desempregados no Pas. um cenrio desesperador. O mais grave, entretanto, est em outro fato apurado pelo IBGE: a desesperana. O desalento por no conseguir uma vaga vem fazendo os brasileiros desistirem da busca. No ltimo ano, 1,462 milho de pessoas deixaram o mercado de trabalho. Quer dizer que no estavam nem trabalhando e nem procurando emprego.

O martrio de precisar sustentar a famlia e no conseguir emprego uma cruz gigantesca. Detona a mente da pessoa; fere de morte sua alma. Enquanto ela ainda tenta, apesar das frustraes, existe esperana. Pior quando ela para de tentar. A, o fim. Significa sucumbir. O pavoroso saber que mais de um 1 milho de brasileiros j jogaram a toalha.

Gente, por mais sombrio e glido que esteja o dia a dia, no se pode perder a f. ela que mover as montanhas, fazendo do improvvel algo possvel. Ao abrir mo dos sonhos, perde-se a razo da existncia. A vida efmera. Bons e maus momentos tambm so passageiros. Desistir no uma opo. Pode parecer cmodo e at confortvel. No . Apenas mascara a dor e agrava os problemas. como querer tratar um cncer tomando analgsico.

Quem vive o drama do desemprego, precisa se desdobrar para vencer o desalento. Com f, vm o nimo, as oportunidades e at as boas ideias. Pode ser que o caminho da recuperao no esteja numa contratao no mercado de trabalho. Conheo gente que ficou desempregada e no conseguia trabalho. Mas, fez um dos cursos gratuitos de qualificao profissional oferecidos, por exemplo, pela Prefeitura de Mogi das Cruzes (como parte de um programa que fortalecemos enquanto prefeito e que evolui na atual gesto). Hoje, mantm o prprio negcio. E manda muito bem.

Apesar das ms notcias, especialistas apostam na recuperao gradual da economia e esperada reao do emprego em 2017. As chances existem. Gosto de pensar que, se a gente tem um sonho e luta por ele com todas as foras, o universo conspira para que seja realizado. Ou, como acreditam os cristos, Deus prover. Ento, fao um apelo para que no desistam. Acima de tudo, foco e f!

Crdito da foto: Cludio Arajo
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