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Essência humana
Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016 Enviar por e-mail Versão para Impressão acessos
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É verdade que ainda falta muito para garantir políticas públicas direcionadas ao tratamento digno dos animais. Porém, quando vejo as ações desenvolvidas em Mogi das Cruzes, não posso me furtar da ponta de orgulho que sinto dos avanços já consolidados. Lembro-me do ano de 2000. Com a ajuda da população, preparávamos o PGP (Plano de Governo Participativo). Muitas propostas focavam a implantação de um local apropriado para atendimento e acolhida de cães e gatos abandonados nas ruas. Elencamos o projeto na lista de compromissos a serem honrados.

Quando chegamos à Prefeitura, veio o horror que me arrepia até hoje. Sabíamos que os animais recolhidos eram levados para o tal do “barracão” – um depósito de materiais da Prefeitura. Entretanto, a realidade era bem pior. Não bastassem as instalações absurdamente precárias, com cercados minúsculos improvisados para aprisionar os peludos, não havia pessoal especializado. Ou seja, nem um único médico veterinário no quadro funcional da Municipalidade. O que era feito, então? Não era. Os bichinhos apreendidos eram mandados para laboratórios de pesquisas. Viravam cobaias. Isso mesmo. Eram tirados das ruas para serem torturados em testes dos mais diversos.

Desde criança sempre fui muito afeiçoado aos animais. Saber da barbaridade que se passava a alguns metros do prédio-sede da Prefeitura me arrasou. Interrompi as remessas para laboratórios, contratei veterinários e comecei a cruzada para viabilizar a implantação de um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Naquela época, tudo era mais difícil porque ainda não havia o poder das redes sociais e a sociedade levaria alguns anos mais para se manifestar com vigor contra os maus-tratos aos animais.

Conseguimos incorporar ao patrimônio público a área e as edificações de um desativado centro de pesquisas avançadas de cogumelos comestíveis, localizadas em César de Souza. Assim, começaram as adequações para o que seria o CCZ de Mogi. Em 2006, inauguramos o espaço, dotado de tecnologia de ponta e classificado como um dos mais modernos do País. A estrutura possibilitou, por exemplo, a inédita campanha de esterilização gratuita de cães e gatos e a vacinação antirrábica em massa, além de ações de conscientização para a posse responsável. Tudo, sob a supervisão de veterinários da Prefeitura.

Não bastasse, a equipe do CCZ atua no controle de zoonoses para evitar a disseminação de doenças que ainda causam a morte de seres humanos, como raiva, febre maculosa, hantavirose e leptospirose. Também desenvolve ações de controle de vetores (Aedes aegypti, culicídeos e carrapatos), promove o combate a animais sinantrópicos (baratas, ratos e pombos) e aos peçonhentos (escorpiões, aranhas, cobras, abelhas e vespas, entre outros).

Nosso sucessor, Marco Bertaiolli, deu continuidade ao processo de alavancar o atendimento aos animais. Uma das iniciativas bem-sucedidas é o Petmóvel (Unidade Móvel de Educação e Esterilização), que leva aos bairros o serviço de castração de cães e gatos. O Centro de Bem-Estar Animal, inaugurado em setembro, coloca Mogi das Cruzes no rol dos raros municípios brasileiros dotados de um hospital veterinário gratuito.

Administrado pela Associação das Clínicas Veterinárias de Pequenos Animais (Anclivepa) e localizado ao lado do CCZ, a unidade oferece procedimentos como a castração, pequenas cirurgias e consultas veterinárias. Atende preferencialmente as famílias desprovidas de recursos para cuidar dos animais de estimação. E apenas moradores de Mogi das Cruzes, que precisam comprovar residência no Município. A expectativa é que também ajude a elevar os índices de castração animal, alternativa encontrada para controlar a população de cães e gatos abandonadas após o nascimento. ONGs estimam que haja 25 mil bichinhos perambulando pelas ruas.

Como se vê, é possível sair do zero e progredir com medidas concretas em prol da causa animal. Basta vontade política, com a imprescindível participação popular. Contudo, a existência de equipamentos como CCZ, Petmóvel e Centro de Bem-Estar Animal não elimina a necessidade de a população agir, com consciência e responsabilidade, na relação com os animais domésticos. Adotá-los significa inseri-los em sua família. Isso exige alimentação, vacinas, cuidados e amor. Castrar também é um ato de amor, porque reduz a incidência de câncer. Lembre-se ainda de que, por mais monstruoso que seja, há gente abandonando ninhadas de filhotes no lixo. Ou largando os peludos idosos em rodovias. Nunca é demais lembrar que temos a grande oportunidade de colaborar para resgatar valores perdidos em meio à violência cotidiana. E, principalmente, de preservar a essência humana, em nós mesmos e nas gerações futuras.
Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP (fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008).
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